22/11/2013
A disputa política permite toda sorte de retórica. Populistas,
insensíveis, reacionários, porra-loucas, o vocabulário é abrangente, da
linguagem culta à chula.
Em todos esses anos acompanhando e participando de polêmicas, jamais
vi definição mais sintética e arrasadora do que a do jurista Celso
Antônio Bandeira de Mello sobre Joaquim Barbosa: “É uma pessoa má”.
Não se trata se julgamento moral ou político. Tem a ver com
distúrbios psicológicos que acometem algumas pessoas, matando qualquer
sentimento de compaixão ou humanidade ou de identificação com o próximo.
É o estado de espírito que mais aproxima o homem dos animais.
O julgamento da bondade ou maldade não se dá no campo ideológico.
Celso Antônio Bandeira de Mello é uma pessoa generosa, assim como
Cláudio Lembo, cada qual com sua linha de pensamento. Conheci radicais
de lado a lado que, no plano pessoal, são pessoas extremamente doces.
Roberto Campos era um doce de pessoa, assim como Celso Furtado.
A maldade também não é característica moral. O advogado Saulo Ramos, o
homem que me processou enquanto Ministro de Sarney, que conseguiu meu
pescoço na Folha em 1987, que participou das maiores estripulias que já
testemunhei de um advogado, nos anos 70 bancou o financiamento
habitacional de um juiz cassado pelos militares. E fez aprovar uma lei
equiparando direitos de filhos adotados com biológicos, em homenagem ao
seu filho.
A maldade é um aleijão tão virulento, que existe pudor em expô-la às
claras. Muitas vezes pessoas são levadas a atos de maldade, mas tratam
de esconde-los atrás de subterfúgios variados, com o mesmo pudor que
acomete o pai de família que sai à caça depois do expediente; ou os que
buscam prazeres proibidos.
Joaquim Barbosa é um caso de maldade explícita. Longe de mim me
aventurar a ensaios psicológicos sobre o que leva uma pessoa a esse
estado de absoluta falta de compaixão. Mas a natureza da sua maldade é a
mesma do agente penitenciário que se compraz em torturar prisioneiros;
ou dos militares que participavam de sessões de tortura -- para me
limitar aos operadores do poder de Estado. Apenas as circunstâncias
diferem.
A natureza o dotou de uma garra e inteligência privilegiadas. Por
mérito próprio, teve acesso ao que de mais elevado o pensamento jurídico
internacional produziu, a ciência das leis, da cidadania, da
consagração dos direitos.
Nada foi capaz de civilizar a brutalidade abrigada em seu peito, o
prazer sádico de infligir o dano a terceiros, o sadismo de deixar
incompleta uma ordem de prisão para saborear as consequências dos seus
erros sobre um prisioneiro correndo risco de morte.
Involuntariamente, Genoíno deu a derradeira contribuição aos hábitos
políticos nacionais: revelou, em toda sua extensão, a face tenebrosa da
maldade.
Espera-se que nenhum político seja louco a ponto de abrir espaço para este senhor.
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